31 de julho de 2003

... CIRCULANDO!

não costumo falar desses pústulas que vêm parar por aqui através de perquisas bizarras lá pelos googles da vida. mas essa merece.

algum infeliz digitou prostituta no buscador do yahoo e veio parar aqui. hmmmm.

leia meus lábios: su-ma-da-qui. já foi?

30 de julho de 2003

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não sei dizer, não sei mais dizer. nunca soube. isso tudo é tão maior do que eu que não sei dizer. não sei.
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então. eu não compreenderia. eu me sentiria traída, eu me sentiria enganada, como não? como não. amo você mas não me sentiria amada se fosse você. então não peço que você se sinta amado, mas você é, tanto e tanto, como não? como não. isso que carrego no peito, isso é amor, sim, claro, é amor mas não é amor. é algo melhor do que amor porque é diverso e individual e único. porque é diverso de qualquer outra coisa, diverso de amor, é algo que não é amor mas que chamo de amor por falta de melhor rótulo. precisamos dos rótulos, como não? então. então chamemos de amor, chamemos de amor esse algo diferente de amor, esse algo que é melhor que amor porque é único, reduzamos esse algo para o menos do amor porque somos incapazes de expressá-lo de outra forma, precisamos dos rótulos, não precisamos? precisamos. ou então você não se sentirá amado, e você é, você é amado, tanto e tanto. você é tão mais do que amado. mas se eu não desse o rótulo você não compreenderia. como não compreende. mesmo com o rótulo você não compreende, mesmo com o rótulo você não se sente amado, porque isso que ofereço pelo meu peito aberto não consegue aderir ao seu rótulo de amor, como poderia, se é algo diverso? como poderia? não pode. mas ofereço esse algo a você e você o rejeita por faltar a esse algo um rótulo. por faltar uma identidade. você não aceita o que carrego no peito e lhe estendo porque o que lhe estendo não tem identidade, não tem RG, não tem CPF, não tem código de barra. o que carrego no peito é e não consta de dicionários. o que carrego no peito é e não tem forma. o que carrego no peito é. e você não aceita. como pedir que você aceite? se eu não aceitaria. eu não aceitaria. mas peço. encoste sua mão no meu peito, cole sua mão no meu peito, e sinta. isso é melhor que amor, tão melhor. é maior. tanto e tanto. compreenda aquilo que eu não seria capaz de compreender. sua mão encostada no meu peito, colada no meu peito, penetrando no meu peito. sinta. é isso. então.
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meu dever-ser agora é o amor. é o gozo. e, mais importante que qualquer coisa, acima de todos os outros, antes mesmo de mim, que você me perdoe por isso. você a quem eu aparentemente traio na tentativa de ser fiel a mim mesma. você que me pediu fidelidade em silêncio, que me implorou por fidelidade em silêncio. você a quem só posso ser fiel se for fiel a mim mesma. você a quem não posso ser fiel precisamente porque sou fiel a mim mesma. você a quem minha fidelidade a mim mesma para ser fiel a você parecerá a mais absoluta infidelidade e o mais absoluto egoísmo. você que não compreenderá porque seu foco é outro, e porque tudo na vida é foco. você que não compreenderá que minha justiça a você só passa, só pode passar, por minha justiça a mim mesma, por minha justiça ao que tenho de autêntico e que aparentemente lhe trai. você que não compreenderá que meu amor por você não se nega pelo meu amor aos outros, que meu amor por você só se completa quando permeado pelo meu amor aos outros, ao resto, a todo resto. você que não compreenderá que a realização da minha promessa será a forma mais total de fidelidade a você, ainda que não pareça assim. ainda que não lhe pareça assim, me perdoe, hoje, sempre. assim é. confie em mim nisso, ainda que você pense que já trai sua confiança uma vez. tantas vezes. que a traio. amo você, confie nisso. ponha a mão no meu peito. sinta. e me perdoe por tudo isso que você não compreende. que não compreenderá. me perdoe. e me ame.
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e esse amor é tudo que tenho, e esse amor é abstração pura. abstração pura. esse amor é uma mera compatibilização de feromônios e mais meia dúzia de reações químicas e mais uma penca de impulsos elétricos. e mais abstração pura. ele não é concreto, não pode ser concreto, a concretude o apequena, a concretude o massacra. percebo-o amesquinhado enquanto ele se imiscui no pó do tangível e vê sua própria voz misturada aos gritos esganiçados da minha ética, da minha moral, freiras velhas e virgens e vazias que me esfregam na cara um dever-ser caduco a que elas se apegam como a um crucifixo, como a um terço. velhas freiras virgens que se entregam a um deus, qualquer deus, porque têm medo do gozo. fingem um orgasmo metafísico porque têm medo desse mesmo orgasmo metafísico se real, desse que nos rasga e nos destrói e só nos deixa os escombros úmidos de saliva e secreções e cheiro e gozo e esperma. desse que nos fertiliza, que nos faz parir, que nos dá a luz. porque elas têm medo dele, eu tenho medo dele, do orgasmo do amor, o amor até cessar é um orgasmo múltiplo que não cessa. o amor é um orgasmo múltiplo que não cessa até que cessa. e não permitirei que meu amor morra sufocado por medo do gozo, do esperma, do orgasmo, não permitirei que amesquinhem meu amor ao ponto de torná-lo uma charada moral a ser respondida com falsa sabedoria por uma velha freira virgem frustrada que só pensa ter as respostas porque amesquinhou seu próprio amor quando ele a encarou grávido de plenitude nos olhos. não reduzirei meu gozo a uma insípida questão ética porque sou covarde. porque não sou covarde, porque quero, como quero, me atirar nessa plenitude que se promete. porque me atiro. esfreguem-me meu dever-ser velho e gasto na cara o quanto quiserem, porque ele não me passa mais na goela, meu dever-ser agora é o gozo. é o que sou. meu dever-ser é a coragem para ser o que sou. a coragem para apostar na promessa do gozo, para viver essa promessa agora. já. meu dever-ser é o amor, todo ele, e que me perdoem por isso a minha pobre moral, a minha pobre ética, me perdoem por isso essas velhas freiras frustradas e o deus que elas usam como escudo. meu dever-ser agora é o amor, e que eu me perdoe por isso. eu me perdôo.

29 de julho de 2003

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e tudo que posso dizer é isso, que meu amor por você brota, e é espontâneo, e é autêntico. e que amo você. mesmo que esse amor não exclua o amor pelo resto, o amor pelos outros. amo você mesmo que não seja você quem escolho. porque temos que escolher, não temos? não escolhemos? amo você mesmo que eu escolha a mim, mesmo que eu sempre escolha a mim. sei que não estou traindo você por isso, por escolher a mim. trairia você se não o fizesse. trairia você se me mutilasse em seu nome, se tornasse o vácuo de tudo que decepasse de mim indissociavelmente ligado ao seu nome no meu peito. não, não, você não merece isso. não posso deixar de viver nada em seu nome, não dissimularei minha própria covardia usando seu nome como escudo. não. amo você e isso me liberta. da minha covardia que disfarço de moralidade. da sua covardia que você disfarça de mágoa. me liberta de mim. de você.
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será que te serve, essa fidelidade artificial que parece nascer desse meu relutante e seco engolir da infidelidade que me brota espontaneamente no peito? e se ela te serve, não seria isso a tua infidelidade a mim? não seria isso? não é?
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não posso ser fiel a nada se não for fiel a mim mesma.
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me pergunto se é possível trair as pessoas de peito aberto, de coração limpo, olhando fixamente nos olhos, cara a cara. sem malícia. sem maldade. e percebo como nunca o que sempre soube, perspectiva é tudo, foco é tudo. mas fiz apenas aquilo que você me pediu, só isso: você me implorou que fosse fiel a mim mesma, que seguisse meu coração, foi só isso que fiz. é só isso que faço. talvez seja apenas que você não imaginava que tudo acabasse nisso. talvez seja que se você imaginasse que seria isso, jamais teria me pedido para ser fiel a mim mesma. e céus, será que você me pediria para ser fiel a mim se soubesse que isso significaria ser infiel a você? que significa? será que eu poderia, será que posso, ser fiel ao que quer que seja, se não puder ser fiel a mim mesma?
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é, veio a vida mudou as perguntas. então.
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há horas em que tudo que podemos oferecer às pessoas é o nosso sentimento. em que isso é tudo que temos de autêntico. e espero, de todo coração, que isso baste. pressinto que não basta, pressinto que só me medem pelo que posso apresentar de concreto, e o concreto não fala em meu favor. mas o que carrego no peito, isso é puro, isso é límpido, isso é sem malícia. isso é amor, só amor. mesmo que não pareça assim, à primeira vista, à última vista. isso que carrego no peito é da mais absoluta simplicidade, da simplicidade de crianças brincando na grama numa manhã ensolarada de domingo. isso é simples, tão, tão simples. a concretude é o que mata, é tirar do peito para transformar no pó desse mundo o que mata. é o pó desse mundo o que mata. mas pouse a mão no meu peito, sinta o que bate lá dentro. sinta. é isso o que tenho de autêntico. e isso é da pureza mais completa. e é isso o que ofereço, tudo isso, só isso. queria poder oferecer mais, mas não, só tenho isso, só posso isso. sinta isso que ofereço, sinta esse nada que tenho, que ofereço. sinta. espero que isso baste. não posso dar mais nada. só posso isso. sinta.
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"Estava me libertando da minha moralidade - embora isso me desse medo, curiosidade e fascínio; e muito medo. Não vou fazer nada por ti, eu também ando de rojo. Não vou fazer nada por ti porque não sei mais o sentido do amor como antes eu pensava que sabia. Também do que eu pensava sobre amor, também disso estou me despedindo, já quase não sei mais o que é, já não me lembro."

(Clarice Lispector, in A Paixão Segundo G.H.)

28 de julho de 2003

PRA QUEM ESTAVA CURIOSO

esse é meu pi.

27 de julho de 2003

SHE?S ALL THAT

a esquina fez um bem danado ao meu ego, thank you very much. rolou até oferta de emprego - para que espécie de atividade laborativa é que é a incógnita, mas, hmmmm, é, bem, deixa quieto. não sei o que se passava, se a cidade é que é sem noção, ou se era eu que estava abalando mesmo. um pouco disso, um pouco daquilo. depois lembrei, o ioga deve ter tido algo a ver com a estória. logo antes de ir, tinha feito uma aula, e um dos mestres me disse, você vem irradiando uma luz muito bonita, garota. aham, sei bem que luz é essa. de novo: deixa quieto. deixei.
MEANWHILE

engraçado, a ausência foi de pouquíssimo tempo, mas a mudança de ambiente parece ter maximizado minha saudade de algumas pessoas. a sensação era de ter ficado meses e meses e meses longe delas. estou atipicamente grudenta e efusiva. coisa de gente surtada, é vero. liga não.
AO QUE TUDO INDICA

voltei da esquina. saí do ônibus na rodoviária e fui direto pra bunker. pra matar a abstinência da falta de poluição/barulho/violência, melhor lugar não há.

25 de julho de 2003

JUNKIE

aliás, vício é foda. eu pensei, vou ficar uns quatro dias sem chegar perto de computador, que bom, que bom. e meu anfitrião me carrega pruma lan. trevas, baby, trevas.
AINDA NA ESQUINA

só isso a dizer por enquanto. aliás, estou postando da esquina.

24 de julho de 2003

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vou ali na esquina e já volto.
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"O caos de novo se prepara como instrumentos musicais se afinam antes de começar a música eletrônica. Estou improvisando e a beleza do improviso é fuga. Sinto latejando em mim a prece que ainda não veio. Sinto que vou pedir que os fatos apenas escorram sobre mim sem me molhar. Estou pronta para o silêncio grande da morte. Vou dormir."

(Clarice Lispector, in Água Viva)