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então. eu não compreenderia. eu me sentiria traída, eu me sentiria enganada, como não? como não. amo você mas não me sentiria amada se fosse você. então não peço que você se sinta amado, mas você é, tanto e tanto, como não? como não. isso que carrego no peito, isso é amor, sim, claro, é amor mas não é amor. é algo melhor do que amor porque é diverso e individual e único. porque é diverso de qualquer outra coisa, diverso de amor, é algo que não é amor mas que chamo de amor por falta de melhor rótulo. precisamos dos rótulos, como não? então. então chamemos de amor, chamemos de amor esse algo diferente de amor, esse algo que é melhor que amor porque é único, reduzamos esse algo para o menos do amor porque somos incapazes de expressá-lo de outra forma, precisamos dos rótulos, não precisamos? precisamos. ou então você não se sentirá amado, e você é, você é amado, tanto e tanto. você é tão mais do que amado. mas se eu não desse o rótulo você não compreenderia. como não compreende. mesmo com o rótulo você não compreende, mesmo com o rótulo você não se sente amado, porque isso que ofereço pelo meu peito aberto não consegue aderir ao seu rótulo de amor, como poderia, se é algo diverso? como poderia? não pode. mas ofereço esse algo a você e você o rejeita por faltar a esse algo um rótulo. por faltar uma identidade. você não aceita o que carrego no peito e lhe estendo porque o que lhe estendo não tem identidade, não tem RG, não tem CPF, não tem código de barra. o que carrego no peito é e não consta de dicionários. o que carrego no peito é e não tem forma. o que carrego no peito é. e você não aceita. como pedir que você aceite? se eu não aceitaria. eu não aceitaria. mas peço. encoste sua mão no meu peito, cole sua mão no meu peito, e sinta. isso é melhor que amor, tão melhor. é maior. tanto e tanto. compreenda aquilo que eu não seria capaz de compreender. sua mão encostada no meu peito, colada no meu peito, penetrando no meu peito. sinta. é isso. então.