28 de fevereiro de 2003

PURPURINA NA MÍDIA

os meninos do glamourama apareceram no dia, no jb e no globo. tudo por conta do show de hoje. é a purpurina invadindo a mídia.
E QUANTO AO CHÁ VERDE...

sempre que preciso virar noites estudando, trabalhando, ou fazendo alguma coisa com o potencial de me fazer cair no sono, caio de boca no chá verde. antigamente, bebia café. a esse antigo hábito devo meu vício em cafeína e derivados. de uns tempos pra cá, venho tentando ser uma moça mais zen natureba. daí o chá verde. além de ser um estimulante bastante poderoso, tem mil e uma substâncias benéficas à saúde. ajuda a evitar câncer, problemas no coração, até cáries, além de auxiliar no emagrecimento porque acelera ligeiramente o metabolismo. então, quando a agenda lota, começo a fazer litros e litros de chá verde. porque sei que vou precisar.
NÃO SEI SE VOCÊS PERCEBERAM...

eu odeio a bandinha do leme.
GUILT IS THE CAUSE OF MORE DISORDERS...

(ainda naquele tema da chantagem emocional e do sentimento de culpa. agora de uma boca bem mais competente que a minha)

"guilt is the cause of more disorders
than history's most obscene marorders"


(e. e. cummings, poeta americano)
A BOA DE SEXTA



o glamourama estará tocando no nautilus, hoje. vão lá prestigiar os meninos, eles fazem um show bem respeitável. e levem quilos de purpurina, porque é a abertura da nova turnê sex singles e eles prometem muita pirotecnia. e surpresas. eba.
MAIS UMA CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE

ah, sim, morte violenta precedida por tortura chinesa a esses manés que vêm pra bandinha do leme "pegar mulé", fedendo àquele aroma característico de misturas explosivas como feijão tropeiro, cebola, suor e álcool, e insultando o que quer que use saias num raio de dez quilômetros com cantadas que já eram batidas na época em que mamãe eu quero era o mais novo hit do verão.
ADITAMENTO AO PROJETO DE LEI

adito a sugestão de projeto de lei para incluir como alvo dos esquadrões de extermínio qualquer sem noção que integre um bloco de carnaval em andamento durante uma noite que não seja a de carnaval em um bairro residencial cujos moradores trabalhem e tenham que acordar cedo no dia seguinte. o tipo teria qualificadora agravante para determinar uma morte com requintes de crueldade àqueles que, em vez de tocar músicas tradicionais de carnaval ou sambas enredo, executam rouge e tribalistas. também haveria uma circuntância atenuante, no caso daqueles que recepcionam de maneira acolhedora crianças e cidadãos da terceira idade. estes poderiam ser executados com injeção letal.

27 de fevereiro de 2003

SENTIMENTO DE CULPA

venho atingindo reiteradamente a conclusão de que esse mecanismozinho mesquinho que na cultura judaico-cristã as pessoas utilizam da forma mais comezinha pra manipular aqueles que os amam, por algum motivo, não funciona comigo. não sou movida na base de culpa, nem tentem. empatia dá mais certo. o sofrimento humano (o verdadeiro, não a pálida versão daqueles joguinhos desprezíveis de vítima e algoz) me pega pela goela. pode ser da pessoa mais próxima, pode ser de um total desconhecido. mas me dói na carne. agora, venha cá pro meu lado fazer chantagem emocional, que eu viro bicho. pisoteio e cuspo em cima. sem piedade.
O QUE ME LEMBRA... RAPIDINHAS - BELCHIOR

"Minha dor é perceber
que apesar de termos feito
tudo que fizemos
ainda somos os mesmos
e vivemos como os nossos pais"
COMO NOSSOS PAIS

se você anda que nem um amigo meu, se queixando nostalgicamente com todo mundo que depois deles não apareceu mais ninguém, leia esse texto recheado de reumatismo do alexandre matias pra fraude. as sensações descritas provavelmente serão familiares.
WE ARE FAMILY

conheci hoje a carioca 54, casa noturna que abriram recentemente no centro da cidade. a presença era compulsória, aniversário de madastra, sacumé. ensaiei até uma desculpa pra escapar, mas quando tentei colocar o plano em ação não me permitiram chegar nem na segunda sílaba. ouvi de meu pai um categórico "você vai". então tá.

no todo, não foi tão ruim quanto eu imaginava. tirando o som farofa, o lugar até que é agradável. limpinho. garçons educados. banheiros bastante transitáveis. só que por algum motivo senti saudade das baratinhas francesas que passeiam alegremente pelas paredes da bunker. mas a noite acabou se pagando. não sei o que foi mais hilário, se ver as funcionárias de uma vara da justiça trabalhista batendo bundinhas ao som de jorge vercilo (eca), se ouvir de um respeitável juiz que o som "estava bombando" quando tocaram we are family (duplo eca), ou assistir meu pai, um sisudo advogado que mal sorri a maior parte do tempo, dançando desengonçadamente aserehê (triplo... não, infinito eca ). provavelmente serão necessárias algumas décadas de análise intensiva para superar o trauma. jamais verei a figura paterna com os mesmos olhos.

então, se você é normal, provavelmente vai gostar do carioca 54. se é um esquizóide como eu, nem perca tempo. vá pra bunker mesmo.

26 de fevereiro de 2003

AGORA, DIGAM TODOS JUNTOS...

maldito haloscan. de novo.
EXÍLIO

"Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncios e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades"


(Sophia de Mello Breyner Andresen, escritora portuguesa)

ONDE A VISÃO NÃO ALCANÇA

há dias em que gostaria de piscar os olhos e ser transportada no tempo para daqui a cinco, dez anos. há situações cujas soluções se anunciam, mas ainda muito ao longe, lá onde nossa visão não alcança. senhor, dai-me tranquilidade para esperar até lá sem me atirar por nenhuma janela.
SUGESTÃO PARA UM PROJETO DE LEI

acho que deviam criar um esquadrão de extermínio pra abater esses moleques que apertam todos os botões do elevador e fazem com que o maldito vagarosamente pare em todos os andares justo quando você está mais do que atrasado.

25 de fevereiro de 2003

LEI DE MURPHY

expliquem-me isso. por que é que sempre que a gente consegue completar um trabalho no computador, correndo contra o tempo, nem tem a chance de sentir o gostinho da vitória, porque a impressora invariavelmente dá problema?
AINDA NO CHÁ VERDE

e se alguém tiver alguma idéia do que um anteprojeto de monografia deve ter, entre em contato urgentemente. a coisa está feia.
NÃO TEM JEITO

ao que parece, esse blog aderiu ao meu nome de vez. não solta mais. virei aline limãozinho, menina limão. até os amigos íntimos, pasmem, andam abusando da referência. céus. acho que preciso começar a postar menos.
...ENQUANTO ISSO, A GUERRA ESTOURA NO RIO...

mas isso já não é nenhuma novidade. tinha acontecido coisa semelhante em setembro do ano passado, e agora ontem, de novo. leiam o que a cecília gianetti (que, segundo anunciado na edição 32 do trabalho sujo, do alexandre matias, fechou de vez o seu blog, notas gonzo, e agora escreve eventualmente para a fraude) tem a dizer a respeito. quanto a mim, estava fazendo vários trabalhos pra faculdade, isolada do mundo. não tinha nem idéia do que estava acontecendo.
E ESSA GUERRA, HEIN...

é, o mundo blog está pegando fogo. depois das muitas manifestações no mundo todo contra a tentativa americana de iniciar a guerra contra o iraque, diversos blogueiros excelentes, como paulo polzonoff e o fábio danesi rossi, pra citar alguns, vêm nos apresentar excelentes argumentos em favor do conflito que se anuncia. na contramão, e defendendo o posicionamento adotado também pela humilde autora desse blog (que fica caladinha na maior parte do tempo e deixa os grandes discutirem entre si, arriscando apenas um comment aqui e outro ali quando acha que tem a pretensão de enriquecer o debate ), vem o danilo amaral, nesse belo post. e agora o polzonoff lançou até um concurso, propondo que algum de nós, pacifistas, o convença de que massacrar o saddam é de fato desnecessário. tomem suas posições nas suas respectivas trincheiras.



e, no fim, esse limãozinho aqui acaba se rendendo ao apelo do ruy goiaba. chega de falar de guerra. pelo menos enquanto ela não chega por aqui.

24 de fevereiro de 2003

SÓ DIGO UMA COISA

estou fazendo chá verde. então, falo com vocês amanhã.
AGAIN AND AGAIN, HOWEVER WE KNOW THE LANDCAPE OF LOVE

"Again and again, however we know the landscape of love
and the little churchyard there, with its sorrowing names,
and the frighteningly silent abyss into which the others
fall: again and again the two of us walk out together
under the ancient trees, lie down again and again
among the flowers, face to face with the sky."


(Rainer Maria Rilke, poeta alemão)
RETIFICAÇÃO

não, não desistirei de ouvir rock. só vou encher mais ainda a boca pra falar mal de mainstream. porque se isso aí embaixo fizer sucesso, acho que estarei coberta de razão.
DEJA VU

estou fazendo a ronda e esbarro com o link para o site de uma bandinha chamada lion heart no como assim 2 uísque. e agora estou imaginando se eu não vi esse pessoal sem noção no empório sexta! lembro porque meu grupo comentou insistentemente, puxa, isso aqui está muito trash, com esse acidente bloqueando parcialmente a prudente de morais e essa mina bêbada caída no chão com a bunda à mostra. e olha lá aqueles três manés saídos de alguma banda de pseudo rock meloso do final dos anos oitenta! e o pior é que acho que são esses, e peço para os meus acompanhantes na noite confirmarem se também tiverem a mesma impressão. trevas. se essa banda algum dia fizer sucesso eu desisto de ouvir rock. algum estilo mais autêntico passará a ocupar minhas caixas de som. pagode, talvez. ou música sertaneja.

23 de fevereiro de 2003

LEVANTANDO O ROSTO

passei boa parte da minha vida insatisfeita comigo. tentando mudar a pessoa que eu fui, era, sou, seria. chega sempre um momento em que a gente cansa e aprende a ficar satisfeita com aquilo que é. não, espera um pouco. mentira. eu ainda não estou satisfeita comigo, ainda sou esse projeto em andamento. mas a gente se conforma. eu só posso ser o que sou. que pelo menos isso eu faça com a dignidade intacta e uma certa dose de graça. é isso que a gente aprende. a levantar o rosto e encarar o mundo nos olhos. não é de mim que me orgulho. é disso.
MOMENTO NOSTALGIA

ontem tomei cinco saquinhos de mupy de morango. lembram? o priminho pobre desse ades que a gente compra no mercado hoje em dia. vendia na praia quando eu era criança. minha mãe se recusava a comprar picolé às vezes, dizia que mupy era mais saudável. a época do boom do leite de soja. ainda vende em casas de produtos naturais. às vezes me bate a louca e eu faço a limpa no mundo verde, pra matar as saudades.

22 de fevereiro de 2003

MY LIFE CLOSED TWICE BEFORE ITS CLOSE

"My life closed twice before its close—
It yet remains to see
If Immortality unveil
A third event to me

So huge, so hopeless to conceive
As these that twice befell.
Parting is all we know of heaven,
And all we need of hell.'


(Emily Dickinson, poetisa americana)
A BELEZA NO MUNDO

fiquei pensando nas últimas linhas de ode on a grecian urn. quando ele diz, beauty is truth, truth beauty - that is all ye know on eart, and all ye need to know. não canso de ouvir isso, de me dizer isso. não canso da simplicidade com que essas linhas carregam um dos grandes, senão o maior dogma do meu universo.

vai direto na alma de bailarina que eu tento em vão esconder por baixo dos quilos e quilos de juridiquês.
AINDA SOBRE PI

o infinito dessa vez ficou legal. já pi... esse vai ter que ser retocado. de novo. *sigh*
RAPIDINHAS - CAT STEVENS

"Oh, I'm bein' followed by a moonshadow
Leapin and hoppin' on a moonshadow

And if I ever lose my hands, lose my plough, lose my land,
Oh if I ever lose my hands, Oh if.... I won't have to work no more.

And if I ever lose my eyes, if my colours all run dry,
Yes if I ever lose my eyes, Oh if.... I won't have to cry no more.

And if I ever lose my legs, I won't moan, and I won't beg,
Yes if I ever lose my legs, Oh if.... I won't have to walk no more.

And if I ever lose my mouth, all my teeth, north and south,
Yes if I ever lose my mouth, Oh if.... I won't have to talk... "

21 de fevereiro de 2003

12 DE DEZEMBRO

"Nada fácil testemunhar este mundo com tudo o que tem de bom. De ruim. Um mundo grande, que vai além da chácara do vigário. Diante de si mesmo, diante do papel o escritor se sente grande porque a sua tarefa é digna. Pode ser corrompido mas só raramente corrompe."

(Lygia Fagundes Telles, in A Disciplina do Amor)

ALEGRIA, ALEGRIA

não fiquei na final de direito sucessório, mas cheguei dolorosamente perto. farei prova de direito comercial às nove e meia da noite. tenho quinhentos mil trabalhos pra entregar semana que vem (acho que a contagem exata está na casa dos quatorze, mas esse número pode vir a ser modificado pra mais - porque deus é um cara sacana - ao longo do dia).

mas alegria. hoje é dia de empório velho de guerra. amanhã tem bunker. e eu estou enxergando. tem horas em que a vida é boa.
COPIAR/COLAR

ok, chega do CRTL+C, CTRL+V, que isso é muito chato. é que eu sempre me animo quando faço a ronda. amanhã tem mais da minha absoluta falta de criatividade e desse péssimo hábito de parasitar da de blogueiros melhores que eu.
FRASE DA SEMANA

de blogueiro. de novo.

"meu deus, atente às preces deste pobre cristão que vos suplica: mandai uma trouxa de roupa suja bem grande pra essa gente ter o que fazer, please. amém."

(do júlio - não-sei-do-quê, então não perguntem -, jornalista e blogueiro, criador do criminal)

FLORES

achei lindinho esse gif. quis começar o dia assim, com flores. liga não, é sexta feira, entra no clima. roubei da marina w, do blowg.

PRA QUEM QUER ENTENDER A EGUINHA POCOTÓ

se você é um daqueles incautos que ainda não tinham entendido a admirável complexidade artística de "eguinha pocotó", essa recente pérola da música popular brasileira, assista isso e tudo ficará claro. roubei do cris dias.
UPDATE NO ESTADO DE SAÚDE

continuo sem poder usar lentes de contato, obrigada. mas pelo menos a cegueira agora é opcional. achei uma ótica que, a preços nada módicos, fez meus óculos com rapidez supersônica. enfim, já enxergo. mas apenas por trás dessa armação horrorosa, que me faz aparentar novamente os seiscentos anos que, ninguém sabe, mas carrego nas costas. mal posso esperar pra esse edema passar.

20 de fevereiro de 2003

I AM HE THAT ACHES WITH LOVE

"I am he that aches with amorous love;
Does the earth gravitate? does not all matter, aching, attract all matter?
So the body of me to all I meet or know."


(Walt Whitman, poeta americano)
POLÍTICA DE COTAS NAS UNIVERSIDADES

assuntinho espinhoso, esse. tinha acabado de conhecer esse cara, e ficamos, eu, ele, a patroa e dois amigos, nos estapeando durante mais de duas horas no rodízio de pizzas do viena a respeito. nunca mais vi o indivíduo. talvez por isso, imagino, com risadinha sapeca. o amigo que nos apresentou ficou morrendo de vergonha de mim.

o fato é, a constituição federal impõe a isonomia como direito fundamental de todos os cidadãos brasileiros, no caput do seu artigo 5º. e é certo que a mais moderna hermenêutica constitucional, interpretando este dispositivo com outros diversos da carta magna, considera que essa igualdade não deve se dar apenas no sentido formal, como também no material. além disso, o esforço estatal para alcançar o fim não deve ser apenas negativo (ou seja, através da repressão de condutas que a violem), mas também através de ações positivas. essas, as famosas affirmative actions americanas, e que podem ser realizadas através de diversas iniciativas sociais. entre elas, as políticas de cotas, que têm a nobreza de buscar melhor distribuir o acesso à educação, algo que no brasil precisamos tão urgentemente ser feito.

ok, chega de juridiquês. então é certo que a instituição de política de cotas não é apenas uma medida eleitoreira. é também forma de tornar concretas algumas das mais negligenciadas disposições de nossa constituição. ocorre que, pelo visto, isso está ficando complicado. como sempre, não pelo fim da norma, mas pelos critérios estipulados para sua aplicação. no caso das cotas estabelecidas para negros, por exemplo, além do explosivo debate a respeito da questão racial (se isso não é discriminação ao contrário, por exemplo, uma vez que raça e instrução não são aspectos necessariamente ligados, e se não seria mais razoável estabelecer cotas para pessoas de pouca renda, bem como para alunos provenientes do ensino público - este último, aliás, já é feito, se não me engano, ou se etc etc etc.), temos também a delicada questão de que não há um critério objetivo e seguro para dizer quem é branco ou quem é negro. o que se agrava substancialmente quando vivemos num país de tanta miscigenação como o nosso. então era bastante previsível era que as normas a respeito fossem solenemente burladas por alunos espertinhos.

então agora a coisa explodiu no rio, pois a uerj tem um dos maiores programas de reserva de vagas para minorias do país. leiam a matéria publicada na revista época a respeito, mais essa que saiu no globo, e ainda a iniciativa anunciada pelo site jurídico carta maior.

ah, é: a colaboração de pauta foi de uma amiga sem blog que está fazendo a monografia dela a respeito desse mesmo tema. então, sejam camaradas e DEIXEM SUA OPINIÃO NOS COMMENTS. se por nenhum outro motivo, pra ajudar a menina.
MUNDO MAIS NÍTIDO

parece que o mundo fica mais bonito, assim borrado, cheio de manchas e vultos. ele me parece mais verdadeiro desse jeito, enquanto me faz tomar ônibus errados porque me enganei a respeito do itinerário, levar tombos porque não percebi os obstáculos à minha frente e não reconhecer os rostos dos meus amigos quando esbarro neles pelo caminho.
RAPIDINHAS - JJ72

"airports and undergrounds
waiting to find the unfound
rising to pure insanity
here when you want me true love
has no simplicity
god's in our world

you and i
we're going so high
the air is getting thin
but our land does not breathe in
we don't need oxygen
it's dreams that binds us and locks us in
the rest are impaled by sense"


19 de fevereiro de 2003

AUTISTA

acabei de receber a notícia de que estarei cega pelos próximos cinco dias. não se preocupem: não fui acometida de nenhum mal demasiadamente grave ou coisa do tipo. apenas tenho edemas nas córneas de meus belos olhos castanhos, e em razão disso, não poderei usar minhas lentes de contato durante algum tempo. o problema é que eu também não tenho óculos, e isso gera um dilema: não enxergo um palmo à minha frente. e não, acreditem, o pior ainda não veio: além de tudo, essa situação trágica ainda tinha que vir combinada com o final do semestre na minha faculdade.

ainda não estão rindo do meu azar? então riam agora: quando estou sem óculos, não só não enxergo. por alguma razão que freud explica, passo a ouvir muito mal e meu raciocínio vai pra cucuia. minha capacidade de concentração, então, evapora. viro uma autista perfeita. tenho que tomar cuidado pra não esbarrar em nenhum psiquiatra nesse período. seria meu one-way ticket pro pinel.

então, pessoas, se eu encontrar com algum de vocês na rua e virar a cara, não é nada pessoal, acreditem. só não consigo identificar nada nem ninguém nesse estado. tenho umas estórias engraçadas pra contar a respeito, mas não estou com humor pra elas agora. de repente, quando passar. então blah pra vocês.
PALÍNDROMOS

particularmente, acho esse papo de palíndromos muito chato. coisa de nerd. enfim. mas sei que há, entre meus singelos leitores, quem goste, então, anuncio que tem um bom post a respeito no pensar enlouquece, do alexandre inagaki, com indicação de sites sobre o assunto, exemplos, e tudo mais. vejam só alguns que eu pincei de lá: "Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos" e "Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na Moda da Romana: 'Anil é cor azul'." .

e se você nem sabe o que um palíndromo é, não se sinta mal, sua vida não será menos rica por isso. de qualquer maneira, vai a explicação do inagaki: "é aquela frase ou palavra que, lida da esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda, mantém o mesmo sentido". então tá.

como disse: coisa de nerd. não matem o mensageiro.
CLICHÊ

peço desculpas adiantadas pelo clichê. mas poucas coisas são tão boas quanto descobrir que talvez ainda haja esperança para algo que você já havia dado por certo estar perdido.

18 de fevereiro de 2003

SERÁ MESMO?

ao que tudo indica, o haloscan encerrou a greve. então, podem voltar a comentar. mas deixa eu falar baixo, que se comemorar muito acabo mordendo a língua.
SE FALTA AÇÚCAR, PELO MENOS PÓ DE MICO

eu tinha prometido pra mim mesma que isso estava uma vergonha. que eu iria parar de babar o ovo do homem e de linkar pra lá. mas foi mal. não deu. o mau humor está bombando esses dias. leiam a peça um a zero, de autoria do arnaldo, cujos capítulos ele vem postando em doses homeopáticas, um por dia. e também tem aqueles quadrinhos roquenrou, que só são ruins na cabeça dele. e ainda querem mais? tem essa, essa, e essa, tirinhas avulsas hilárias. e se ainda não ficaram satisfeitos, deixem de ser preguiçosos e vão browsear por lá, que eu não estou aqui pra ficar pajeando vagabundo. eu hein.
AH, É!

mais açucar na caipirinha. preciso me lembrar disso.
POR QUANTO TEMPO AINDA

e apenas uma dúvida ecoava dentro dele, bastante para o resto dos dias que se anunciariam à sua frente. e por quanto tempo ainda? sempre pareceu tarde demais, mesmo quando ainda era assim cedo e o céu ainda não fora percorrido pelos primeiros raios do sol por nascer. sempre tarde pra tudo e tudo ainda por se fazer. e cada gota do seu sangue já esvaída para algum ralo da calçada, antes que a vida tivesse a chance de começar. tudo que não tinha lhe fora tirado. mas aguardaria, as mãos vazias, o peito cravejado de verdades secas, a dor coagulada nas veias, até que chegasse a morte que já lhe parecia presente em cada molécula do oxigênio que lhe faltava. em tudo que lhe faltava.
ÚLTIMA CANÇÃO

"Deus,
eu faço parte do teu gado
esse que confinas em sonho e paixão
e às vezes em terrível liberdade.

Sou, como todos, marcada neste flanco
pelo susto da beleza, pelo terror da perda
e pela funda chaga dessa arte
em que pretendo segurar o mundo.

No fundo,
Deus,
eu faço parte da manada
que corre para o impossível,
vasto povo desencontrado
a quem tanges, ignoras
ou contornas
com teu olhar absorto.

Deus,
eu faço parte do teu gado
estranhamente humano,
marcado para correr amar morrer
querendo colo, explicação, perdão
e permanência."


(Lya Luft, escritora gaúcha)

17 de fevereiro de 2003

GARÇOM, A CONTA, POR FAVOR

alguém, por favor, me diga, qual o exato momento em que não vale mais a pena investir energia numa relação que parece perdida? tenho uma formulazinha matemática pra isso, que é cruzar aquilo que ela nos traz de bom e ruim, e avaliar o saldo. isso deveria tornar tudo muito muito simples. mas a coisa complica quando as variáveis são impossíveis de se definir quantitativa ou qualitativamente. como aliás, todas as variáveis da vida costumam ser.
CONSULTORIA MUSICAL

a trilha sonora dessa semana é jj72. dica de um amigo que graças a deus não tem blog, porque caso tivesse, denunciaria ao mundo minha absoluta ignorância musical. então deus me ajuda. porque, como a tati figurinha, eu conto com minha própria e exclusiva consultoria. sorte a minha.
RAPIDINHAS - RADIOHEAD

"I wrapped you inside my coat
When they came to firebomb the house
I didn't feel pain, 'cause no one can touch me
Now that I'm held in your spell

A beautiful girl
A beautiful girl can turn your world into dust"

16 de fevereiro de 2003

CONTANDO ATÉ DEZ

maldito haloscan.
UTILIDADE PÚBLICA

se alguém por aí souber onde eu posso adquirir um bom desconfiômetro, avise. acho que ando precisando.
ANA C

"Outra vez nos braços do amor perdido.
Sempre o declive. Sempre a vertigem.
Às vezes o abismo.
Posso inflar
as velas de outra imagem
e assim navegar teus canais azulados,
minha lúcida amiga.
No céu-da-boca desta manhã
fica apenas um risco:
relâmpago longo como o olhar.
Luz. Outra luz. Louca luz.
O mesmo anjo que beija tua orelha fina
invade o cinema como um vento fictício
e rabisca cicatrizes bem legíveis
no coração deserto do meio-dia."


(Eudoro Augusto, in O Desejo e o Deserto)
RAPIDINHAS - R.E.M.

(novamente, ouvimos essa ontem. foi bizarro. eu e fabíola, dançando no queijo, de costas uma pra outra, em uma sincronia absolutamente involuntária)

"That's me in the corner
That's me in the spotlight
Losing my religion
Trying to keep up with you
And I don't know if I can do it
Oh no I've said too much
I haven't said enough
I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try"
PRA FAZER INVEJA

nossa. a noite de ontem foi muito boa. poucas vezes me descabelei tanto na pista de dança. e, vejam bem, eu sou uma descabelada profissional. então imaginem. *sigh*. essa tal de bunker ainda vai acabar com a minha reputação.

15 de fevereiro de 2003

TAUTOLÓGICA



só, permaneço imóvel, eu e meu desejo. meia respiração, a cada batida no peito as costelas mais perto de arrebentar. o destino paira sobre minha cabeça, por um instante, periclitando desabar. meu próximo movimento pode fazer meu mundo girar em cento e oitenta graus. ou não.

angústia de ânsia prestes a ser saciada, angústia de ânsia jamais saciada, angústia de ânsia reiteradamente saciada. não adianta, é tudo angústia. meu vício está bem aqui, quando ao longe se anuncia a tímida possibilidade de, um dia, quem sabe, a paz. mas minha paz é paradoxal, é inquieta. não há paz pra mim. encontro-me na angústia, e no que há de vertiginoso pelo caminho.
GRAVIDEZ PSICOLÓGICA

minha cadela está sofrendo de uma incômoda gravidez psicológica. chora o tempo todo em que não está latindo pra proteger de ruídos imaginários a prole de brinquedinhos com apito dela. e está carente que só. eu mereço.
RAPIDINHAS - ECHO AND THE BUNNYMEN

(final de noite absoluto ontem na bunker, e o edinho me solta essa. eu já estava com um pé do lado de fora da porta, e tive que voltar pra ouvir. valeu a noite.)

"Under blue moon I saw you
So soon you'll take me
Up in your arms, too late to beg you
Or cancel it, though I know it must be
The killing time
Unwillingly mine

Fate
Up against your will
Through the thick and thin
He will wait until
You give yourself to him"


14 de fevereiro de 2003

FIM DE SEMESTRE

em pleno fevereiro, parece um grande contra-senso eu estar atravessando o final de um semestre. venha para uma universidade federal você também, que tudo vai ficar dolorosamente claro. então, provas, trabalhos, prazos. e chá verde na cabeça.
MAIS UMA FRASE DA SEMANA

"Nos extremos da solidão e da conexão com outros seres, a vida faz sentido. O problema é tudo que está no meio."

(Daniel Galera, blogueiro e escritor)
POESIA

as pessoas são engraçadas. alguém que não entende nada de poesia me disse ontem que eu preciso ler mais poesia. só rindo.
AÇÚCAR NA CAIPIRINHA

é isso que diz a gra, que eu preciso pôr mais áçúcar nessa caipirinha. hoje é um daqueles dias em que aceitamos contribuições, porque o limão anda forte. passei a noite acordada, mandando o cachorro parar de latir pro (eu espero!) mais absoluto nada.
IMEDIATISMO

acho que é uma dessas coisas de criança mimada. sim, porque fui uma. das boas. primogênita. e também primeira neta de um homem bastante dominador, que sempre quis uma filha mulher, e nunca teve. sentiram o estrago? até os sete anos, queria o que queria, quando queria, do jeito que queria, e ai de quem não me desse o que eu queria. aí meu avô ficou doente, e permaneceu assim durante dez anos. e a essas alturas meus pais já tinham que dividir a atenção entre eu e mais dois irmãos.

bati muito com a cabeça na parede desde então, cresci muito, aprendi a duras penas que não, eu não tenho que ser sempre o centro das atenções, a menina dos olhos de todos. o fato é que, hoje, nem quero. mas cara, sobrou isso. essa impaciência. quero o que quero. e pra ontem. tudo tem que ser pra ontem. a paciência definitivamente não integra meu curto rol de virtudes.

fazer o quê? paciência. estou esperando meu infarto aos trinta anos, thank you very much. ou meu tumor no cérebro (sim, porque ainda por cima, sou daquelas que escondem os sapos que engolem atrás de um - segundo me dizem - ar profundamente blasé). estou só esperando. whatever comes first.
THE SONNETS TO ORPHEUS - XXIII

"Call to me to the one among your moments
that stands against you, ineluctably:
intimate as a dog's imploring glance
but, again, forever, turned away

when you think you've captured it at last.
What seems so far from you is most your own.
We are already free, and were dismissed
where we thought we soon would be at home.

Anxious, we keep longing for a foothold-
we, at times too young for what is old
and too old for what has never been;

doing justice only where we praise,
because we are the branch, the iron blade,
and sweet danger, ripening from within."


(Rainer Maria Rilke, poeta alemão)

13 de fevereiro de 2003

LIMÃOZINHO EM TEMPO REAL

finalmente! por algum motivo, não conseguia acessar meus settings pra mudar aquela frasezinha ali do lado (pra quem não percebeu, faltava o circunflexo no quê. foi um lapso.). tentei hoje, e sucesso! além disso, descobri que o blogger já tem a opção do horário de brasília (também pra quem não percebeu, no final de cada post tem um horário, que estava sempre errado, diga-se de passagem, porque estávamos no fuso da costa oeste dos estados unidos).

agora temos limãozinho em tempo real. deus nos proteja.
ALIÁS

...o dia de hoje vai ser pauleira. já fiz cinco litros de chá verde. whatever gets me through the day.
ANTI-SOCIAL

ontem, minha melhor (provavelmente única) amiga da faculdade precisava de um número de telefone de alguém de lá, pra esclarecer umas questões cujas respostas nenhuma de nós sabia direito. qualquer pessoa da nossa sala serve. moleza, pensei, e peguei minha agenda de telefones. depois de cinco minutos, fechei a bichinha, frustrada. nenhum número que nos servisse.

então me dei conta, nossa mãe do céu, já são quatro anos em que convivo com essa gente, e mal conheço a esmagadora maioria. de alguns, sequer sei o nome. e o fato é que nunca fiz questão, por pior que isso possa soar. algumas pessoas fazem seus melhores amigos no colégio, na faculdade, no trabalho. aparentemente, não é o caso comigo. somos uns perdidos, eu e e meus amigos. uns veículos desgovernados. vamos nos esbarrando pela vida, nos lugares mais insólitos. batendo de frente. acabamos nos juntando enquanto discutimos quem é que vai pagar pelos danos no para-choque do outro.

não que não exista gente na minha turma de faculdade que eu lamento não conhecer melhor. tem sempre uns três ou quatro. mas enfim. se for pra ser, a gente ainda vai se esbarrar pelos corredores de algum desses fóruns da vida. talvez nos juntemos enquanto discutimos quem é que vai pagar pelo prejuízo do cliente do outro. entre um e outro data venia.
FRASE DA SEMANA

(mais de uma frase. aham. grifos nossos.)

"We are all guilty of crime, the great crime of not living life to the full. But we are all potentially free. We can stop thinking of what we have failed to do and do whatever lies within our power. What those powers that are in us may be no one has truly dared to imagine. That they are infinite we will realize the day we admit to ourselves that imagination is everything. Imagination is the voice of daring."

(Henry Miller, escritor americano)

12 de fevereiro de 2003

SOBRE A MINHA FACULDADE

ensino público superior é o que há. os professores fingem que dão aula, os alunos fingem que acreditam. e o mercado, otário, ainda acha que os diplomas das públicas são os que valem mais. graças a deus pelos cursinhos. e pelo mercado. deus salve o mercado.
O CASCÃO VAI TOMAR BANHO



esse mundo está indo pro brejo. acabei de ler no pensar enlouquece que o maurício de souza pretende dar um banho no cascão ainda esse ano. como sempre digo, estou perdendo meus referenciais.
RAPIDINHAS - PLACEBO

"i know, you love the song, but not the singer
i know, you've got me wrapped around your fingers
i know, you want the sin without the sinner
i know, i know"
ASSOVIO

"Ninguém abra a sua porta
para ver que aconteceu:
saímos de braço dado,
a noite escura mais eu.
Ela não sabe o meu rumo,
eu não lhe pergunto o seu:
não posso perder mais nada,
se o que houve já se perdeu.
Vou pelo braço da noite,
levando tudo que é meu:
– a dor que os homens me deram,
e a canção que Deus me deu."


(Cecília Meireles, poetisa)

11 de fevereiro de 2003

MUNDO DA VIDA

ok, já sei o que é o mundo da vida para habermas. se alguém estiver curioso, avise, que eu esclareço. mas não esperem muita coisa, que o conceito é meio óbvio. nessas horas eu me sinto bem estúpida.
SAÍDA PELA ESQUERDA

vou estudar pra prova de direito sucessório que tenho na quinta, fazer um agravinho básico pra quem sabe tirar o nome de algum inadimplente do spc e tentar descobrir que diacho é o mundo da vida de jurgen habermas (quem tiver alguma idéia, mande-me um comment, e-mail, fax, aerograma ou cartão de natal). volto já. vocês sabem.
25 DE FEVEREIRO

"Por que não lhe disse antes? Apertá-lo demoradamente contra o peito e dizer. Não disse porque pensava que tinha pela frente a eternidade. Só me resta agora esperar que aconteça outra vez, vislumbro esse encontro - mas vou reconhecê-lo? E vou me reconhecer nos farrapos da memória do meu eu? Peço que me faça um sinal e responderei ao código secreto na noite e no silêncio dos navios que se comunicam quando se cruzam no mar."

(Lygia Fagundes Telles, in A Disciplina do Amor)
COMPLEXO DE INFERIORIDADE

meu já substancial complexo de patinho feio aumentou a olhos vistos depois de ler a série piada & exegese, do genial ruy goiaba.

... o que você ainda está fazendo aqui? corra lá e leia essa, essa e essa. anda.

... já foi? acho bom.

10 de fevereiro de 2003

CARTA DO MOMENTO

essa maldita me persegue nos últimos tempos. há dias em que a melhor coisa do mundo é acordar de manhã com a sensação de que tudo ao meu redor pode mudar em uma fração de segundos. há outros em que isso é desesperador. ainda não decidi em qual dos dois tipos o dia de hoje se encaixa.

PROEZA

não sei como a fabíola consegue a proeza de colocar uma ligação minha na espera pra atender outra, dizendo absolutamente nada além de um sigelo "caralho" em tom de interjeição enraivecida, e não me deixar passada. só com muita intimidade. e na maior parte das vezes, nem com isso.
CASA NO CAMPO

tentei postar ontem, mas o negócio estava feio. foi uma maratona, essa estória de sair sexta, dormir mal, acordar cedo no sábado, trabalhar em pé o dia inteiro, ir direto pra bunker, dançar a noite inteira, chegar em casa, ter menos de três horas de descanso, e passar domingo todo ralando de novo. quando cheguei em casa, minhas pernas mal me sustentavam, e eu não conseguia raciocinar direito. estou ficando velha pra essas coisas. quero minha casa no campo.
BUNKER 94 FECHARÁ AS PORTAS

é, gente, para meu desespero, e de vários dos meus amigos (a fa deu o alarme, o gui confirmou, e mais um monte de gente sem blog está arrancando os cabelos) . deu no jornal do brasil que em quatro de maio, domingo, as luzes na casa se apagarão e ninguém sabe se virão a ser acesas novamente. pra quem está pensando, ah, normal, já ouvi isso antes e era boato, think again, porque dessa vez a coisa foi confirmada por gente da casa. ainda não se sabe se a boate fecha apenas para reformas, ou se acaba de vez. só sei de uma coisa: enquanto aguardo novidades, estarei lá, nos dias de sempre, aproveitando os últimos momentos do lugar. recomendo que vocês façam o mesmo.

9 de fevereiro de 2003

LIGHT BREAKS WHERE NO SUN SHINES

"Light breaks where no sun shines;
Where no sea runs, the waters of the heart
Push in their tides;
And, broken ghosts with glow-worms in their heads,
The things of light
File through the flesh where no flesh decks the bones.

A candle in the thighs
Warms youth and seed and burns the seeds of age;
Where no seed stirs,
The fruit of man unwrinkles in the stars,
Bright as a fig;
Where no wax is, the candle shows its hairs.

Dawn breaks behind the eyes;
From poles of skull and toe the windy blood
Slides like a sea;
Nor fenced, nor staked, the gushers of the sky
Spout to the rod
Divining in a smile the oil of tears.

Night in the sockets rounds,
Like some pitch moon, the limit of the globes;
Day lights the bone;
Where no cold is, the skinning gales unpin
The winter's robes;
The film of spring is hanging from the lids.

Light breaks on secret lots,
On tips of thought where thoughts smell in the rain;
When logics dies,
The secret of the soil grows through the eye,
And blood jumps in the sun;
Above the waste allotments the dawn halts."


(Dylan Thomas, poeta galês)

8 de fevereiro de 2003

VOU TRABALHAR

agora me dêem licença, que eu tenho que ir descolar uns trocados. vida dura, essa, e estudante/estagiário/qualquer-outra-coisa-que-me-ajude-a-ganhar-algum-dinheiro (ok, não QUALQUER outra coisa, apenas aquelas que levam em consideração meu relativo senso moral e os bons costumes). bom fim de semana pra vocês.
ENTRELINHAS DA VIDA

outro dia me disseram, seu problema, menina, é essa mania de ficar se perdendo nas entrelinhas da vida e ir passando reto pela moral da estória. não tive como discutir, abanei a cabeça em uma anuência silenciosa, expressão bovina. mas fiquei debatendo cá com meus botões se isso é mesmo um problema. o fato é que não sei. não sei se a graça do caminho está no ponto de chegada ou nos caminhos em si.

eu e meus botões ainda não chegamos a nenhuma conclusão.
RAPIDINHAS - SHERYL CROW

(grifos nossos)

"I hitched a ride with a vending machine repair man
He says he's been down this road more than twice
He was high on intellectualism
I've never been there but the brochure looks nice
Jump in, let's go
Lay back, enjoy the show
Everybody gets high, everybody gets low,
These are the days when anything goes


Everyday is a winding road
I get a little bit closer
Everyday is a faded sign
I get a little bit closer to feeling fine
"


WALDEN - TRECHO

"I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived. I did not wish to live what was not life, living is so dear; nor did I wish to practise resignation, unless it was quite necessary. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life, to live so sturdily and Spartan-like as to put to rout all that was not life, to cut a broad swath and shave close, to drive life into a corner, and reduce it to its lowest terms, and, if it proved to be mean, why then to get the whole and genuine meanness of it, and publish its meanness to the world; or if it were sublime, to know it by experience, and be able to give a true account of it in my next excursion."

(Henry David Thoreau, escritor americano)

7 de fevereiro de 2003

KAZAA

é, já era hora desse programinha que substituiu o napster na surdina aparecer de sola na mídia. vejam essa matéria, que roubei do leituras do dia, do rodolfo filho, e que explica desde a organização da empresa que desenvolve e mantém o programa até a luta da indústria de entretenimento pra acabar com ele. também saiu um artigo do bruno galera na fraude, falando de como os donos do kazaa estão contra-atacando. a coisa está pegando fogo.
PORTA DA RUA

costumo dizer que, entre duas pessoas, a dinâmica é tudo. não tem nada a ver com sermos isso ou aquilo, com termos muitas afinidades ou não termos nenhuma. porque, no fim, é tudo questão de como interagimos. e cada relação tem a sua dinâmica. algumas fluem com toda tranquilidade. em outras, temos que depositar uma certa dose de energia, mas no fim tudo acaba dando certo. e ainda há aquelas que se tornam mais difíceis a cada nova tentativa de fazê-las funcionar.

há momentos em que eu gostaria de apertar um botão que consertasse todos esses meus relacionamentos catastróficos. todos eles. pra que eu não tivesse que ser privada do convívio de tantas pessoas maravilhosas com quem as coisas parecem sempre ser tão complicadas. ainda não inventaram esse botão. ou tampouco aquele que faria com que só ficassem na minha vida aqueles que realmente querem ficar. aqueles pra quem minha presença de fato faz diferença. porque são estes que me importam. quanto aos demais, sintam-se à vontade pra seguir em frente. eu não posso apertar esse botão. vocês podem.

a porta da rua é serventia da casa.

6 de fevereiro de 2003

(ENQUANTO MEU PEITO DECOLA E DESABA EM VERTIGEM)

enquanto meu peito decola e desaba em vertigem, minha alma se aninha naquele infinitesimal instante em que tudo para, em que tudo se põe inexplicavelmente em pausa. olho ao redor e vejo tudo tudo tudo todas as auras e todas as mentes de todas as pessoas e todas as coisas e tudo o que era foi é será está e todas as micropartículas do tempo que pairam no ar que aguardam impacientes em fila uma atrás da outra para começar a correr de novo, elas cintilam na brisa congelada discretas e breves como vagalumes furtando faceiras uma pequena parcela da escuridão que a fatalidade desse nosso existir irradia como um sol ao avesso. é isso, é só isso, apenas isso, isso tudo o que eu tenho de paz: apenas esse momento inexistente de tão curto, esse nada cheio de um oco preenchido de um tudo que no fim também é nada. e eu me agarro a isso, fundo-me a isso, com toda a força anêmica que minha humanidade me permite, e com um pouco mais de força ainda. eu sou um animal desesperado pela angústia em que se umedece o pó deste mundo, meu peito cada vez mais corroído pela ferrugem que causa a maresia desses momentaneamente estáticos nanossegundos vagalumes, as entranhas atormentadas pelo ininterrupto interminável cio da vida.
FRASE DA SEMANA

(aí tem mais de uma frase. eu sei.)

"What is required of us is that we love the difficult and learn to deal with it. In the difficult are the friendly forces, the hands that work on us. Right in the difficult we must have our joys, our happiness, our dreams: there against the depth of this background, they stand out, there for the first time we see how beautiful they are."

(Rainer Maria Rilke, in Selected Letters of Rainer Maria Rilke)
BERMUDA LARGA

"muitos lutam por uma causa justa
eu prefiro uma bermuda larga
só quero o que não me encha o saco
luto pelas pedras fora do sapato"


(Chacal, in Comício de Tudo)
CONTINUO NÃO ENTENDENDO

ok, agora reapareceram os comments de alguns dos posts, enquanto sumiram os de outros . continuo boiando. mas pelo menos fico mais tranquila, diante da notícia do loos.e de que outras pessoas estão passando pelo mesmo problema. o que significa que o grilo é lá na haloscan, não aqui. pelo menos isso.
NÃO ENTENDI NADA

alguém que entenda de internet, ferramentas de blog, html e correlatos, por favor me explique: por que simplesmente sumiram, desapareceram, evaporaram no ar, o conteúdo dos comments relativos a alguns posts desse blog?

nessa eu boiei. o que aparentemente não é nenhuma novidade.
LIXO E PURPURINA - TRECHO

"A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é nossa incompreensão."

(Caio Fernando Abreu, in Ovelhas Negras)

5 de fevereiro de 2003

TERÇA TORTA

acabo de voltar do guapo loco, bar que, por incrível que pareça, só tinha visitado uma vez, nos meus longínquos dezessetes anos. fomos eu e uma amiga, seduzidas pela proposta daquilo que eles chamam de terça torta, noite com bebida e comida liberada de onze da noite a uma da manhã. a idéia funcionaria bem, se o lugar não fosse tão abarrotado, se as pessoas não tivessem tão pouca educação e se os garçons de fato servissem você dos tais comes e bebes supostamente abundantes. em outras palavras: a terça de fato foi torta..

quando entrei no lugar, fiquei me questionando por que só tinha ido lá uma vez na vida. afinal, é um dos points mais populares do rio há anos. agora me lembro por que. vividamente.

4 de fevereiro de 2003

ÁGUA VIVA - TRECHO

"É com uma alegria tão profunda. É uma tal aleluia. Aleluia, grito eu, aleluia que se funde com o mais escuro uivo humano da dor de separação mas é grito de felicidade diabólica. Porque ninguém me prende mais. Continuo com capacidade de raciocínio - já estudei matemática que é a loucura do raciocínio - mas agora quero o plasma - quero me alimentar diretamente da placenta. Tenho um pouco de medo: medo ainda de me entregar pois o próximo instante é desconhecido. O próximo instante é feito por mim? ou se faz sozinho? Fazemo-lo juntos com a respiração. E com a desenvoltura de um toureiro na arena."

(Clarice Lispector. só pra constar.)
YES, NÓS TEMOS UM CONTADOR DE VISITAS

graças a minha competente irmã mais nova. agora poderei saber quantos perdidos de fato transitam por estas paragens. demorô.
FULFILMENT

(não sei se cheguei a comentar com vocês, mas adoro klimt)

"whoever wants to know something about me must observe my paintings carefully and try to see in them what i am."



Stoclet Frieze: Fulfilment, 1905-9
Stocletfries: Die Erfüllung
Mixed technique on paper, 194 x 121 cm
Vienna, Österreichische Museum für Angewandte Kunst
RAPIDINHAS - P J HARVEY

"sometimes i can see for miles
through water and fire
from england to america
i feel life meet my eyes
and it´s the best thing
a beautiful feeling"
NOTÍCIAS DO NOSSO MUNDINHO BIZARRO

um duo chamado tatu, composto por duas meninas que se dizem lésbicas, e definido como "um projeto sexual de menores de idade" para "homens à procura de entretenimento com menores de idade" (ou, em outras palavras, banda de pop pedófilo), escandaliza ao emplacar um hit nas paradas britânicas. francamente, os ingleses tinham que ouvir baba, baby da kelly key. aí sim eles vão ver o que é música que, além de pedófila, é ruim à vera.

meninos, se vocês estavam considerando a possibilidade de fazer uma cirurgia de alargamento de pênis, think again. um mané que tentou teve seu bilau desfigurado. ouch. isso deve doer. ah, sim, e de erros de médicos, ouvi ainda adaqueles que transplantaram uma córdea pro olho errado. trevas.

ah, sim, tem também a do policial que, enquanto estava interrogando um suspeito de furtos de celulares, ouviu seu próprio telefone tocando, da meia do meliante. deve estar se sentindo bastante incompetente no momento.

e, last but not least, mundo animal. o diretor de um circo fugiu com seu elefante deprimido, tudo porque as autoridades da cidade onde estavam não permitiram que o elefante andasse por lá pra aliviar seu estresse. eu apoio, coitado do bicho. mas, por mais amante de animais que se seja, essa do jogador de futebol que pediu pra se separar da esposa porque a culpa pela morte de sua jumenta juju, a quem considerava como um membro da família é um pouco demais. ninguém merece.

e chega, que estou começando a achar esse mundo esquisito demais pra mim.
BACK TO BUSINESS

depois de um merecido período de férias, volto ao batente, com as pilhas recarregadas e muita vontade de trabalhar. devia haver um alerta do ministério da saúde na capa de todo processo, livro jurídico, petição, codigo: CUIDADO. EXCESSO DE JURIDIQUÊS MALTRATA A ALMA. o remédio? altíssimas doses de música, poesia e beijo na boca. acreditem, funciona. eu atesto.

3 de fevereiro de 2003

O JARDINEIRO

"Só colhia as rosas ao anoitecer porque durante o sono elas não sentiam o aço frio da tesoura. Uma noite ele sonhou que cortava as hastes de manhã, em pleno sol, as rosas despertas e gritando e sangrando na altura do corte das cabeças decepadas. Quando ele acordou, viu que estava com as mãos sujas de sangue."

(Lygia Fagundes Telles, in A Disciplina do Amor)

2 de fevereiro de 2003

BANANAS FORA DO RISCO DE EXTINÇÃO

ufa. bom saber que essa deliciosa fonte de potássio não corre o risco de se extinguir nos próximos dez anos, diferentemente do noticiado na mídia e copiado/colado por este blog. fiquei sabendo pelo martelada, do marcelo träsel.
DA ETERNA PROCURA

"Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada...
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada."


(Mário Quintana, poeta gaúcho)
ESSES JOVENS DE HOJE EM DIA

meu pai ficou chocado ao encontrar minha irmã mais nova junto com um casalzinho de amigos roquenrou dela. razão: o menino tinha nas mãos uma correia (dessas que gente normal, como eu e você, usa pra levar o cão pra passear), que por sua vez se prendia numa gargantilha que a namorada usava. ou seja, a situação simulava uma coleira pela qual o rapaz mantinha a moça sob seu controle. talvez pondo em prática a idéia da cachorra, aquele apelido carinhoso que os funkeiros têm para garotas atraentes.

por algum motivo que meus pesados anos provavelmente explicam, achei a coisa toda perfeitamente dispensável e nada cool. tanto sutiã queimado em praça pública, e pra que? feministas se reviram nos seus respectivos túmulo.

ERRATA: leiam os comments. minha irmãzinha querida retificou. era o contrário: ao que parece, a coleira estava no menino. o que, na minha humilde opinião, is just as bad.
MOMENTO HOMEM É TUDO PALHAÇO

AVISO: POST LIMÃOZINHO. NÃO LEIA SE SEU ESTÔMAGO NÃO AGÜENTA.

na boa, às vezes é duro conciliar as situações ser mulher / ser relativamente atraente (não sou a gisele bündchen, mas tenho a audácia de dizer que acho que dou pro gasto) / sair pra dançar na noite carioca / efetivamente se divertir. tenho chegado cada vez mais à conclusão de que homem é um bicho absolutamente sem noção. isso pra evitar a idéia ventilada pelas meninas desse blog, que acham que eles são uns palhaços mesmo.

quantas vezes preciso por vezes sentar pra descansar os pés gastos de tanto dançar, e imediatamente algum mané assume que, se estou sozinha, estou esperando alguém me abordar? invariavelmente, junta um do meu lado, pergunta meu nome. vejo-me em frente a um grande dilema: se eu lanço mão da excelente educação que minha mãe me deu, e respondo, vão ser mais quinze minutos de conversa aos gritos, falando no ouvido do pulha, explicando que não, não vai rolar, que eu só quero dançar com meus amigos. em face desta perspectiva lúgubre, prefiro bancar a garota enxaqueca. o triste é que a maior parte deles, nem assim, capta a mensagem. posso contar uns dez que tentaram a sorte de forma bastante inconveniente, só ontem. e, acreditem, se o número limitou-se a dez, é porque meus mecanismos de defesa contra os encostos são extremamente eficientes.

mas o problema não é nem eles chegarem. todo mundo tem direito a tentar. a questão é, tem uns que vão além do limite do humanamente aceitável na insistência. vejam um exemplo que felizmente não ocorreu comigo, mas com uma amiga. há cinco semanas (não, você não leu errado, CINCO SEMANAS), uma criatura (que nós carinhosamente apelidamos de pigmeu desgovernado, em alusão à pequena estatura do rapaz) está no pé dela. agarrou e não solta mais. na primeira semana, ela disse, amigo, não estou afim. ocorre que ela costuma ser mais simpática que eu nesse percurso. por algum motivo, a criatura entendeu a polidez da moça como um convite pra permanecer com nosso grupo até o final da noite. na início da segunda noite, ele vem insistir de novo. estamos acompanhadas de vários amigos, alguns homossexuais. constrangida, ela usa o grupo como desculpa, diz que não pode nos deixar. a criatura insiste até às sete da manhã, usando todo tipo de artifício, pedindo permissão a todos os nossos amigos pra roubar a menina do grupo. pergunta inclusive se pra ficar com a menina teria que ficar antes com algum dos nossos amigos gays (!). na terceira semana, passou a noite inteira rodeando nosso povo, ninguém mais disposto a dar papo pra ele. e ele tentando encostar de qualquer maneira. no final da noite, fica um tempão alugando o ouvido um door amigo nosso, inventando todo tipo de estória a respeito da garota, dizendo que estava apaixonado, que eles tinham tido momentos maravilhosos, que ela o estava fazendo sofrer. na quarta semana, novamente, atitude típica de serial killer. olha de longe, tenta grudar na gente na pista, tenta falar com todos no grupo. e, num momento de alta tensão, em que eu e a garota estávamos conversando num canto, ele manda um amigo vir implorar pra ela ficar com ele. eu, com minha delicadeza típica de pata de elefante, mandei os dois irem pastar num palavriado menos sutil. e ontem, céus, ontem, o idiota volta a encostar, puxa minha pobre amiga, diz que ela pode dizer que não quer nada o quanto ela quiser, mas que ele sabe que existe algo entre eles, e que ele não vai desistir dela porque ele nunca sentiu isso antes. novamente, não deixou nosso pessoal em paz um segundo da noite. minha amiga está desesperada, já dispensou o babaca de todas as formas possíveis, e ele continua lá, firme e forte. e eu estaria pronta pra ligar para a polícia se achasse que isso adianta alguma coisa.

agora, se isso não é passar dos limites, eu não sei o que é. então, rapazes, não façam isso em casa. cheguem na menina, mas respeitem um não, se essa for a resposta. as coisas acontecem naturalmente. sempre aconteceram comigo. e podem acreditar que esse tipo de insistência não conta pontos. pelo menos, não a favor.

porque dignidade e e amor próprio são bons e eu gosto.

1 de fevereiro de 2003

LÁ VEM O SOL

na verdade, já veio. finalmente parou de chover nessa cidade. desde ontem, o sol brilha e os desocupados em férias compensam a semana perdida com horas e horas lagarteando na praia. eu não poderia fazer diferente. então, dá licença, que estou indo farofar. os que me conhecem sabem como isso é acontecimento raro. então, vão se preparando. talvez este se revele um daqueles eventos que, unidos, desencadearão o apocalipse.
DEZ COSTUMES MAIS CHATOS DA ATUALIDADE

texto supimpa publicado na fraude, a respeito do que nosso cotidiano contemporâneo tem de mais péla saco. destaque para o pensamento positivo, as explicações em economês, os salvadores televisivos e a necessidade de todos de ser marginal. sintam-se à vontade para apontar outros.
TALVEZ EM UM OUTRO CINEMA

"Subitamente no último verão,
bem no avesso do verão passado,
eu quis você. Estar em você. Amar você sobre todas
as coisas, sobre as cascas e os ossos
de um solitário momento,
belo e maldito como o último verão.
Depois todo aquele fogo cai no sono.
Faço passeios anestésicos pela região dos lagos,
pratico os mais orientais exercícios de paciência,
pela serra, pelo cerrado, mas é a mesma bruma.
a mesma espuma, névoa, nebulosa estação.
Sempre esperando a deixa pra entrar em cena
acendendo clift um ar de enigma cool,
entre bogart e brando,
ao riscar o fósforo e abrir teus olhos mansos
à beleza sem rastro de um novo cometa azul."


(Eudoro Augusto, in O Desejo e o Deserto)